sexta-feira, 29 de julho de 2016

Recaída

Seis horas da manhã
Olhar o relógio não faz minha mente se mancar
Só queria que ela obedecesse
E adormecesse

Vejo sua foto na última mensagem que trocamos
"Babaca" minha última palavra pra você
Seu sorriso na foto nova tenta demonstrar alegria
Talvez funcione pra outras pessoas
Mas não pra alguém que tenha conhecido o seu verdadeiro sorriso

E eu conheci
E eu também sorri
E esse sorriso que um dia fora minha razão de viver

Eu me pergunto onde fui perder
Talvez tenha fugido de mãos dadas com o meu,
Refugiados dessa guerra a qual o paraíso um dia seu lugar deu

Essa guerra que por fim era algo que ainda estávamos dispostos a fazer juntos
Que durou entre tantas tréguas e partidas
E a bandeira branca esgotada e ferida

"Eu queria fazer parte da sua vida
Mesmo sendo só sua amiga
Até subir a cabeça, a bebida
E eu te desejar o inferno em seguida"

O que era sonho se tornou uma área devastada pela guerra
De pouco em pouco a gente foi destruindo o nosso proprio trem, 
Nossa Jerusalém, nosso mundo, nosso carrossel...

Largaria e largo tudo por aquele casamento domingo, na praia
Largaria tudo apenas pra sonhar

Na verdade eu ficaria até satisfeito
Só desse aperto sumir do meu peito
Só de conseguir deixar pra trás
Esse tempo que eu sei que não volta

Como não querer de volta tanta felicidade?
De olhar seu rosto ao acordar
De não querer estar em nenhum outro lugar
De te amar, de bastar e transbordar...

De fato é um sentimento justificável
A frustração, a indignação e até a conformidade
Ao entender que flor nenhuma brota mais nesta terra
Que fora devastada por essa guerra

"Babaca", mais uma bomba lançada

A última.


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